Auxiliar de Saúde

ANTECIPAR A EXPERIÊNCIA DE SER IDOSO

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ANTECIPAR A EXPERIÊNCIA DE SER IDOSO só é possível com a utilização do simulador de velhice composto por óculos, luvas, tampões auditivos, bengala, constritores para aplicação nos membros superiores, inferiores, região dorsal e lombar e pesos (com 500grs cada) para as pernas e braços. Participaram na atividade, com o simulador de idoso, os alunos do 3º ano do Curso de Técnico Auxiliar de saúde e esta atividade só foi possível com a colaboração da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra que facultou o simulador.

Para simular os efeitos do envelhecimento a nível da visão os alunos utilizaram os óculos do equipamento e revistas coloridas e nos seus relatos referiram: diminuição do campo de visão (visão periférica); diminuição da acuidade visual; visão turva, com maior dificuldade na leitura e perceção do tamanho e limites das imagens; diminuição da perceção das cores, com amarelecimento; dificuldade em identificar as cores: verde e azul, rosa e laranja, branco e amarelo, que pareciam semelhantes entre si; dificuldade na avaliação da profundidade, quando realizavam o exercício de descer e subir escadas e quando tentavam colocar a chave na fechadura da porta.

A nível da audição utilizaram pequenos rolos de algodão nos ouvidos e pretendia-se que identificassem a origem do som, o tipo de som e a audição de uma música. Na descrição relataram: diminuição da acuidade auditiva, aumento da sensibilidade ao ruído de fundo, dificuldade na localização da origem do som e em diferenciar alguns tipos de sons, principalmente os mais agudos e necessidade de elevar o tom de voz para se fazer ouvir.

 

Para simular os efeitos do envelhecimento a nível do tacto os alunos utilizaram luvas brancas de algodão. As atividades consistiam em identificar várias texturas de materiais a sensibilidade ao quente e ao frio com recurso a saco de água quente e saco de gelo. Os relatos evidenciaram: diminuição da capacidade táctil acompanhada por uma perda da sensibilidade a texturas (lisas e ásperas); dificuldade de preensão das folhas e objetos de textura lisa; diminuição da sensibilidade térmica. Apertar/desapertar botões e folhear revistas tornou-se uma atividade difícil com o uso da luva.

Para simularem o comprometimento a nível da mobilidade os alunos “vestiam” todas as partes do simulador (colete, constritores para restringir a mobilidade dos membros superiores e inferiores e mãos, acompanhados de pesos que se colocam no punho e no tornozelo). As atividades propostas consistiam em fazer marcha, subir e descer escadas, sentar em vários tipos de cadeiras (com e sem braços), deitar e levantar da cama.

Os alunos referiram acentuada tendência para a curvatura do tronco; dificuldade nos movimentos com o pescoço e tronco, em baixar-se ou curvar-se tornando mais difícil manter a posição ereta, tanto sentado como em pé; dificuldade em passar da posição ereta para sentada e/ou vice-versa ou da posição ereta para deitado e/ou vice-versa e sensação de queda e de cansaço.

Na opinião dos alunos a utilização desta metodologia permite uma melhor compreensão das alterações fisiológicas do envelhecimento e as repercussões das mesmas nas atividades de vida diária, ao mesmo tempo que, possibilita a reflexão sobre a adoção de práticas conducentes à promoção do bem-estar da pessoa idosa, como está explicitado nos relatos seguintes:

(…) foi uma experiência (…) interessante (…) importante (…) e enriquecedora na medida em que pudemos “sentir na pele” (…) as dificuldades dos idosos a nível motor, visual, auditivo e sensorial (Grupo 2).

“(…) desta forma, foi possível perceber o porquê de alguns comportamentos que os idosos adotam de forma a compensar as suas dificuldades nas diferentes atividades do dia-a-dia” (Grupo 1).

Depois de sabermos qual a sensação de “sermos idosos”, mesmo que por apenas alguns momentos, percebemos as "dificuldades que eles sentem e como deverá ser complicado o seu dia-a-dia" (Grupo 4).

Esta experiência também contribuiu para a aquisição de competências sociais e de cidadania, expressas nos relatos seguintes:

(…) com esta atividade ficamos mais despertos para as dificuldades que os idosos apresentam e foi possível aprender algumas estratégias para ajudar as pessoas idosas (Grupo 3).

A experiência com o Simulador de Idoso “foi enriquecedora para a nossa aprendizagem pois permitiu perceber qual o papel do Técnico Auxiliar de Saúde nos cuidados à pessoa idosa” (Grupo 1).

A realização das actividades propostas, permitiu que os alunos experienciassem diferentes alterações que ocorrem ao longo do processo de envelhecimento, nomeadamente a nível sensorial e motor, identificassem as dificuldades mais comuns com que as pessoas idosas se deparam no seu dia-a-dia, ajudando-os ainda, nesta fase de aprendizagem, a entender os comportamentos dos idosos em situações do dia-a-dia.

Globalmente consideraram a experiência como muito enriquecedora e uma contribuição eficaz na melhoria dos cuidados à pessoa idosa, pela tomada de consciência das dificuldades inerentes ao processo de envelhecimento.


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